Velório na roça sempre é uma festa. Geralmente acontece de tudo. A Viúva nunca sai de perto do caixão. O choro convulsivo parece esquecer os maus tratos a que era submetida e que estão visivelmente estampados, no rosto envelhecido pelo tempo. As vizinhas fofoqueiras, que tanto infernizavam o falecido, sempre a seu lado a consolá-la:
- Era um grande homem!
Uma roda de amigos sempre se forma, do lado de fora da casa ou da igreja, onde normalmente são realizados os velórios.
Entre uma e outra rodada de café com biscoito ou uma dose de cachaça, relembram passagens interessantes do finado. E é uma risadeira geral. As amantes, contritas, chegam cobertas por véus pretos, sem poder manifestar sua dor para não chamar a atenção. Os parentes distantes começam a chegar de todas as partes e alguns até nem se conhecem mais:
- Será que estou enganado ou você é o primo Anísio?
- Sou eu mesmo.
- Como você está gordo! E titio, como vai?
- Papai faleceu há 10 anos!
- Ah! Meus pêsames, primo!
Conta-se que, certa feita, lá pelas bandas da fazenda Catauara, um velho fazendeiro havia falecido e, enquanto seus amigos bebiam o defunto, o capataz da fazenda e seu filho foram até a cidade comprar o caixão, em uma caminhonete. Na volta, com a urna já na carroceria, encontram um amigo do falecido, conhecido como compadre Bené. Este, era assim chamado por ser pai de 19 filhos, o que o tornara compadre de muita gente no lugarejo. Já meio bêbado, e desgostoso pela morte do amigo, pede carona.
- Se você não tem medo de viajar junto com caixão, pode subir.
- Não tenho medo algum! Vou tomando conta da última morada do meu amigo.
Uma chuva forte começa, e para não se molhar, pois a viagem era longa, compadre Bené, num gesto de coragem e incentivado pelas doses da “branquinha”, resolve se esconder dentro do caixão. Então adormece. Logo à frente, encontram um desconhecido que acreditavam estar indo para o velório. Este também pede carona ao capataz, que avisa:
- Pode subir! Já tem outro aí. Assim você faz companhia para ele.
Ao subir na carroceria da caminhonete e vendo somente o caixão, o desconhecido fica muito assustado. Encolhido em um canto, e coberto com uma capa de chuva, torce para a viagem acabar logo. Assim se livraria do incômodo “companheiro” de viagem.
Ao passarem por perto de uma procissão, o barulho da reza e o burburinho das vozes despertam compadre Bené que, abrindo vagarosamente a tampa do caixão, e vendo o desconhecido, pergunta:
- Parou de chover, companheiro?
O que se viu a seguir foi um verdadeiro rebuliço, com o desconhecido e as beatas que acompanhavam a procissão saindo em disparada ladeira abaixo, derrubando o andor do santo, as cercas e a Plantação de milho.
- Era um grande homem!
Uma roda de amigos sempre se forma, do lado de fora da casa ou da igreja, onde normalmente são realizados os velórios.
Entre uma e outra rodada de café com biscoito ou uma dose de cachaça, relembram passagens interessantes do finado. E é uma risadeira geral. As amantes, contritas, chegam cobertas por véus pretos, sem poder manifestar sua dor para não chamar a atenção. Os parentes distantes começam a chegar de todas as partes e alguns até nem se conhecem mais:
- Será que estou enganado ou você é o primo Anísio?
- Sou eu mesmo.
- Como você está gordo! E titio, como vai?
- Papai faleceu há 10 anos!
- Ah! Meus pêsames, primo!
Conta-se que, certa feita, lá pelas bandas da fazenda Catauara, um velho fazendeiro havia falecido e, enquanto seus amigos bebiam o defunto, o capataz da fazenda e seu filho foram até a cidade comprar o caixão, em uma caminhonete. Na volta, com a urna já na carroceria, encontram um amigo do falecido, conhecido como compadre Bené. Este, era assim chamado por ser pai de 19 filhos, o que o tornara compadre de muita gente no lugarejo. Já meio bêbado, e desgostoso pela morte do amigo, pede carona.
- Se você não tem medo de viajar junto com caixão, pode subir.
- Não tenho medo algum! Vou tomando conta da última morada do meu amigo.
Uma chuva forte começa, e para não se molhar, pois a viagem era longa, compadre Bené, num gesto de coragem e incentivado pelas doses da “branquinha”, resolve se esconder dentro do caixão. Então adormece. Logo à frente, encontram um desconhecido que acreditavam estar indo para o velório. Este também pede carona ao capataz, que avisa:
- Pode subir! Já tem outro aí. Assim você faz companhia para ele.
Ao subir na carroceria da caminhonete e vendo somente o caixão, o desconhecido fica muito assustado. Encolhido em um canto, e coberto com uma capa de chuva, torce para a viagem acabar logo. Assim se livraria do incômodo “companheiro” de viagem.
Ao passarem por perto de uma procissão, o barulho da reza e o burburinho das vozes despertam compadre Bené que, abrindo vagarosamente a tampa do caixão, e vendo o desconhecido, pergunta:
- Parou de chover, companheiro?
O que se viu a seguir foi um verdadeiro rebuliço, com o desconhecido e as beatas que acompanhavam a procissão saindo em disparada ladeira abaixo, derrubando o andor do santo, as cercas e a Plantação de milho.
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