sexta-feira, 27 de julho de 2012

Sérgio Reis: um sertanejo sossegado

Ícone da música sertaneja diz que uma fazenda também pode ser um ótimo investimento para quem quer apenas descansar


Quando ganhou sua primeira viola, aos dez anos de idade, o pequeno Sérgio Reis não imaginava que se tornaria um ícone da música sertaneja no Brasil. Nascido na capital paulista, não tinha nenhuma ligação com o interior. Sua referência caipira mais próxima era a dupla Tonico e Tinoco, sucesso nos anos 1960, de quem tirou suas primeiras influências musicais. Hoje com 69 anos de idade, 76 discos lançados e mais de 20 milhões de cópias vendidas, o velho Sérgio Reis já pode ser apontado como a maior estrela country em atividade no País.
Mas nem sempre foi assim. No início da carreira, chegou a tocar bolero e participou dos primeiros shows da jovem guarda, e a grande virada veio em 1973, quando foi convidado para estrelar a primeira versão do filme O menino da porteira, grande sucesso de bilheteria que fez com que ele se tornasse do dia para a noite um símbolo do homem do campo. Depois do filme, se viu obrigado a deixar os outros estilos de lado para se dedicar exclusivamente à música sertaneja.
Com o tempo - e as viagens pelo interior do Brasil - foi pegando gosto pela coisa, até que um dia decidiu virar fazendeiro. Com o dinheiro ganho na música, comprou terras em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e começou a criar gado. Chegou a ter um rebanho com mais de três mil cabeças de nelore, vendidos para os frigoríficos da região, num esquema bem estruturado. "Era tudo criado a pasto, com um manejo de primeira, o que o pessoal chama hoje de boi verde", conta o cantor, mostrando intimidade com a atividade.
O problema era mesmo a falta de tempo. Com shows praticamente todos os dias - e por todo o Brasil -, ir para o Mato Grosso era uma missão quase impossível. Mesmo assim ele manteve o negócio por anos a fio. Hoje em dia, no entanto, já não quer mais dor de cabeça. "Tocar uma fazenda dá muito trabalho. É preciso ficar em cima para que o negócio vá bem, mas como a fazenda é muito longe e minha agenda muito cheia, já não dá mais", diz ele, que vendeu duas das propriedades e acabou com seu gado de corte.
Para Sérgio Reis, sua fazenda de quase cinco mil hectares no Pantanal agora é um lugar usado exclusivamente para o descanso. Porém, admite que isso pode mudar em breve. Sempre atento às oportunidades, viu nas florestas de pinus uma boa opção de investimento a longo prazo e revela que pode vir a investir na cultura em breve. "Madeira sempre foi um bom negócio. O problema é que o brasileiro é muito imediatista. Este é um negócio para dez anos", completa o sertanejo, que vem estudando o negócio há algum tempo.
Enquanto não entra para a silvicultura, o cantor segue sua rotina de shows, novelas e campanhas publicitárias. Atualmente se prepara para lançar um CD voltado ao público latino, faz participações especiais na novela Paraíso, da Rede Globo, e estrela uma campanha das botinas Beretta. Mais country, impossível.
Samir Baptista/Ag. Istoé
Sérgio Reis: "Cheguei a ter um rebanho a pasto de três mil bois, mas a atividade hoje é incompatível com a minha agenda profissional"

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